Segundo as
Gramáticas, regência é a relação entre um termo regente (p.ex.: o verbo) e
outro termo que o complementa (p.ex.: o objeto), estabelecida por meio de
uma preposição.
Assim, para
que alguns termos façam sentido nos enunciados em que são empregados, eles
precisam de complementos (complemento nominal, no caso de se ligar a um
substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio ou objeto direto, no caso de se
ligar a um verbo sem preposição e objeto indireto, quando se liga por meio de
preposição; ou ainda um adjunto adverbial, que estabelece em que circunstância
ocorre a ação do verbo).
No primeiro
caso, dos verbos que mudam de sentido, podemos destacar estes:
ASSISTIR:
- No
sentido de VER, PRESENCIAR, precisa da preposição A: “Assistimos ao jogo ontem,
mas não assistimos à novela.”
- No
sentido de AUXILIAR, não precisa de preposição: “O médico assistiu os feridos
no acidente.”
- No
sentido de PERTENCER, CABER POR DIREITO, precisa da preposição A, mas o
prêmio/direito é que funciona como sujeito na frase e o merecedor dele é o
complemento: “O direito de estudar assiste a toda criança.”
ASPIRAR:
- No
sentido de TER COMO META, precisa da preposição A: “Todos aspiramos a um bom
emprego.”
- No
sentido de INTRODUZIR (pó, odores, fumaça, partículas etc.) PARA DENTRO DE SI,
pelo nariz ou pela boca, recolher (pó, odores, fumaça, partículas etc.) por
meio de vácuo ou SUGAR, não usa preposição: “Aspirei o perfume das flores.” ;
“Aspirei todo o pó dos tapetes.”
IMPLICAR:
- No
sentido de PROVOCAR, amolar, precisa da preposição COM : “Meu irmão gosta de
implicar comigo.”
- No
sentido de TER COMO CONSEQUÊNCIA; ACARRETAR; PROVOCAR, é transitivo direto, sem
preposição: “A perda da comanda implicará o pagamento de multa.”
- No
sentido de ENVOLVER (alguém ou si mesmo) em; COMPROMETER em : “Implicou o amigo
no assalto.”; “O suspeito implicou-se ao tentar explicar o porte da arma.”
- No
sentido de EXIGIR, REQUERER, não precisa de preposição: “Dirigir à noite
implica maior atenção do motorista.”
Já no
segundo caso, ficarão em desacordo com a norma culta (embora sejam encontrados
com uma frequência muito grande, infelizmente):
PREFERIR:
É
transitivo direto e indireto, mas deve ser empregado nesta ordem: “Prefiro
Gramática A Física.” “Prefiro o cinema AO teatro.” (não se usa ‘mais’, nem ‘do
que’)
NAMORAR:
É
transitivo direto: “Romeu namorava Julieta.” “Eu namorava aquele vestido lindo
na vitrine.” ( não se namora com…)
IR ou CHEGAR:
Verbos que
indicam deslocamento vão empregar sempre a preposição A no sentido da IDA e a
preposição DE no sentido da VOLTA (é uma questão vetorial, diriam os físicos:
mesma direção, sentidos opostos hehe) e a preposição EM dá ideia de ausência de
movimento:
“Vou À
praia sempre que posso.” “Voltei cedo DA festa.” “Fiquei EM casa no domingo.”
